
A música gospel brasileira perdeu, no último sábado (24), uma de suas figuras históricas. A cantora, compositora e missionária Sara Araújo morreu aos 80 anos, em Goiânia, Goiás, após complicações de saúde relacionadas a uma cirurgia de emergência. Natural de Cruz Alta, ela construiu uma carreira de mais de seis décadas dedicada à música cristã e ao trabalho missionário.
Sara Ribeiro de Castilhos Miranda nasceu em 1946, filha do pastor Anatalicio Castilhos e de Darci Rodrigues. Cresceu em uma família numerosa, com sete irmãos, em um ambiente marcado pela música e pela fé. Influenciada pelo pai, que também era músico, aprendeu a cantar e a tocar cavaquinho ainda criança. Segundo relatos biográficos, começou a cantar na igreja aos cinco anos e, na adolescência, passou a participar de festivais, programas de rádio e apresentações musicais.
Um dos episódios marcantes de sua juventude foi a participação no Clube do Guri, programa exibido pela TV Tupi. Em um festival, Sara chegou a dividir o palco com Elis Regina e ficou em segundo lugar, conforme registros biográficos sobre sua trajetória. Em 1972, recebeu um Disco de Ouro do programa Peça Seu Hino Preferido, durante uma cerimônia realizada no Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro.
Pioneira da música evangélica no Brasil
Sara Araújo é reconhecida como uma das pioneiras da música evangélica gravada no Brasil. Ao longo da carreira, lançou mais de 40 discos, interpretou canções cristãs e também desenvolveu trabalhos como compositora e instrumentista. Uma pesquisa acadêmica citada pela imprensa aponta que ela foi a primeira cantora evangélica a gravar um disco solo no país, em 1966. O Instituto Hinologia Cristã, entretanto, ressalta a existência de gravações religiosas anteriores, motivo pelo qual considera mais preciso destacar sua importância entre as pioneiras do segmento.
Entre os trabalhos associados à sua trajetória está a canção Rosa da Manhã, além de diversas gravações que circularam em igrejas e emissoras de rádio cristãs. Sara também publicou a autobiografia Minha Vida – Sara Araújo, na qual registrou aspectos de sua história pessoal, carreira artística e dedicação religiosa. Ligada à Assembleia de Deus, dedicou aproximadamente 65 anos de sua vida à igreja e ao ministério musical.
Além da música, a cantora desenvolveu atividades sociais voltadas a crianças em situação de vulnerabilidade. Em Uberlândia, Minas Gerais, esteve ligada a iniciativas de assistência infantil, incluindo a Creche Comunitária Esperança. Sua filha adotiva, Aline Araújo, tornou-se harpista e também seguiu carreira musical.
Cirurgia de emergência antes da morte
Sara Araújo morreu em Goiânia, no sábado (24 de outubro de 2026). Conforme informações publicadas pela imprensa, ela havia sido submetida, na sexta-feira (23), a uma cirurgia de emergência relacionada a complicações de uma hérnia e permaneceu internada em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Até as notícias divulgadas nesta segunda-feira (26), a causa exata da morte não havia sido detalhada publicamente.
O velório ocorreu no domingo (25), no Complexo Vale do Cerrado, em Goiânia, reunindo familiares, amigos e admiradores. Entidades ligadas à música cristã também manifestaram pesar pela perda, ressaltando a contribuição de Sara Araújo à história da música evangélica brasileira.
A morte da cantora representa uma perda para a música gospel nacional e também merece destaque em Cruz Alta, cidade onde nasceu. Da infância no Rio Grande do Sul às gravações, apresentações e ações missionárias desenvolvidas ao longo de décadas, Sara Araújo construiu uma trajetória que levou o nome de sua terra natal a diferentes regiões do Brasil.
Com informações do UOL, O Popular
Paulinho Barcelos
Rádio Jornalismo – Rádio Cruz Alta
Grupo Pilau de Comunicações
Publicada em 26/10/2026