
A Cooperativa Agrícola Mista General Osório (Cotribá), com sede em Ibirubá e 115 anos de história, aprovou nesta terça-feira (20) a dissolução voluntária e o início de um processo de liquidação extrajudicial com continuidade das atividades. A assembleia foi realizada na ASFUCA, em Ibirubá, com a presença de cerca de 400 associados. A proposta foi aprovada por unanimidade.
A decisão ocorre em meio a uma grave crise financeira, com dívidas estimadas em R$ 1,4 bilhão. Apesar do nome, a liquidação não representa o encerramento imediato da cooperativa. A intenção da direção é manter as operações comerciais enquanto busca reorganizar as finanças, avaliar o patrimônio e negociar com os credores.
Entenda os principais pontos
- Continuidade das operações: a proposta prevê que a Cotribá siga realizando atividades comerciais durante o processo de liquidação, buscando recuperar a capacidade de faturamento e reorganizar seus compromissos financeiros.
- Suspensão de cobranças: segundo o advogado Fernando Pellenz, ouvido pela GZH, o processo pode permitir a suspensão de cobranças por um ano, com possibilidade de prorrogação por mais um ano. A medida é apontada como uma oportunidade para buscar uma reestruturação financeira.
- Dívida bilionária: o passivo estimado em R$ 1,4 bilhão coloca a cooperativa diante do desafio de negociar suas obrigações e encontrar alternativas para manter a operação.
- Sérgio Strentzke será o liquidante: o atual presidente foi escolhido para conduzir o processo e permanece à frente da cooperativa durante esta etapa.
Associados cobram esclarecimentos sobre dívidas
A assembleia ocorreu em meio a questionamentos de parte dos associados sobre a situação financeira da Cotribá. O presidente da Associação dos Produtores e Empresários Rurais (Aper), Arlei Romeiro, esteve entre os que defenderam a suspensão da reunião para ampliar o acesso às informações.
O assessor jurídico da entidade, Guilherme Medeiros, anunciou a intenção de ajuizar uma ação para obter documentos relacionados às dívidas dos produtores. Segundo ele, há divergências entre os valores informados pela Cotribá e por uma empresa securitizadora que teria adquirido créditos da cooperativa. A situação gera dúvidas entre associados sobre os valores devidos e a quem devem realizar os pagamentos.
O que acontece agora?
A liquidação abre uma nova etapa para a cooperativa centenária. O objetivo é preservar as atividades e buscar uma solução para o endividamento, mas o resultado dependerá da capacidade de reorganização financeira e das negociações com credores e parceiros comerciais.
Caso a reestruturação não tenha sucesso, o processo poderá seguir outros caminhos, inclusive com possibilidade de encerramento das atividades. Portanto, a aprovação em assembleia não significa que a crise esteja resolvida, mas formaliza o início de uma nova fase na tentativa de manter a Cotribá em funcionamento.
Com informações da GZH e da Rádio Cidade FM de Ibirubá
Paulinho Barcelos
Rádio Jornalismo – Rádio Cruz Alta
Grupo Pilau de Comunicações
Publicada em 21/10/2026