
O presidente da Cooperativa Agropecuária e Industrial do Rio Grande do Sul (Cotrijal), Nei César Manica, reclamou da demora na liberação da licença prévia para o projeto Soli3, que prevê a construção de uma fábrica de biodiesel em Cruz Alta. O empreendimento, estimado em R$ 1,25 bilhão, envolve parceria com as cooperativas Cotripal e Cotrisal.
A manifestação ocorreu durante entrevista ao programa Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha. Segundo Manica, o documento ambiental era esperado ainda para 2025 e o atraso pode comprometer o cronograma da obra, com impacto direto na economia regional e na cadeia produtiva.
“Todo atraso gera prejuízo”, diz presidente da Cotrijal
Durante a entrevista, Manica afirmou que a cooperativa tem atendido todas as exigências técnicas feitas pelos órgãos ambientais, mas avalia que o processo avançou mais lentamente do que o previsto.
— É uma parte burocrática, questões técnicas, detalhes de vírgula mais vírgula. Temos cumprido tudo que pedem, mas chega um momento que tem que andar. Todo momento que atrasa é um prejuízo para o Estado e toda a cadeia — declarou.
O dirigente afirmou ainda que representantes da Soli3 têm buscado apoio junto à Secretaria do Meio Ambiente, ao governo do Estado e à diretoria da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) para destravar a liberação.
Fepam nega entraves e aponta pendências técnicas
Em resposta, a Fepam informou que não há entraves nem demora no processo de licenciamento ambiental do projeto. Em nota, o órgão destacou que o empreendimento tem prioridade de análise, mas ressaltou que “cabe ao empreendedor cumprir os ritos e apresentar a documentação exigida”.
Segundo a fundação, os documentos encaminhados até o momento apresentam inconsistências e não atendem integralmente às normas para fábricas de combustíveis, especialmente no que se refere à apresentação de cenários de risco e impacto em casos de acidentes, como incêndios e formação de nuvens tóxicas.
Licença prévia é etapa decisiva
O projeto aguarda a emissão da licença prévia, que atesta a viabilidade ambiental do empreendimento. Somente após essa liberação será possível solicitar a licença de instalação, etapa que autoriza o início das obras.
De acordo com Manica, o atraso pode comprometer a previsão inicial de início das operações, estimada para 2028.
Estrutura e investimentos do projeto
O complexo industrial da Soli3 prevê a produção mensal de 18 mil toneladas de biodiesel, 66 mil toneladas de farelo de soja, 2,3 mil toneladas de glicerina e 4,5 mil toneladas de casca de soja. O projeto inclui tanques para armazenamento de produtos químicos como metanol, hexano, biodiesel, ácido clorídrico e metilato.
As cooperativas envolvidas já adquiriram uma área de 140 hectares para a implantação da unidade e investiram cerca de R$ 500 milhões na fase inicial do projeto.
Biocumbustíveis como prioridade no Estado.
A Fepam informou ainda que tem dado prioridade à análise de projetos de biocombustíveis, considerados estratégicos para o desenvolvimento econômico do Rio Grande do Sul. O órgão afirmou que segue apurando os detalhes do processo de licenciamento e que novas informações serão divulgadas em breve.
Com informações da Rádio Gaúcha/ site GZH e Soli3 Foto-Divulgação Cotrijal
Paulinho Barcelos
Rádio Jornalismo – Rádio Cruz Alta
Grupo Pilau de Comunicações
Publicada em 09/02/2026